POESIA : Luz
Luz
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
No átrio silente do inexorável tempo,
irrompe a luz — não como clarão vulgar,
mas qual efusão etérea, diáfana e augusta,
a trespassar o véu opaco do existir.
É lume arcano, de fulgência abissal,
que esgarça a penumbra taciturna da alma,
e, em lânguida incandescência, depura
os resquícios abscônditos do ser.
Não é apenas brilho — é epifania.
É o sopro primevo que obnubila a treva,
é o verbo ígneo que consagra a aurora
nos confins crepusculares da dúvida.
Oh, luz! — essência ubíqua e inexaurível,
que cintila nos interstícios do nada,
e, em sua plenitude inefável, transmuta
o caos informe em harmonia perene.
E quando o mundo, em torpor, se esvai,
és tu — inexorável, impoluta, perene —
que, num ímpeto sublime e inexprimível,
redimes o homem de sua própria noite.