Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de abril de 2026

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Sexta-feira Santa amanheceu vestida de silêncio, como se o mundo tivesse colocado um dedo nos lábios da pressa e dito: “Hoje, menos barulho, mais alma.” Em Aracaju, a cruz saiu para passear — não como madeira, mas como memória pesada, dessas que não cabem no bolso e nem no coração distraído. A fé caminhava descalça pelas ruas, enquanto o tempo, esse velho teimoso, diminuía o passo para acompanhar o sofrimento que nunca envelhece.

Na Catedral, a dor virou oração; na Vila da Páscoa, virou algodão-doce de esperança — porque o brasileiro, meu amigo, é especialista em transformar lágrima em pipoca e sofrimento em selfie. Entre um amém e outro, crianças corriam atrás de coelhos imaginários, como se a vida fosse uma grande metáfora: enquanto uns carregam cruzes, outros carregam sonhos em forma de chocolate.

Lá longe, em Roma, o Papa Leão XIV resolveu carregar a cruz com as próprias mãos — gesto raro, quase uma rebeldia santa num mundo onde muitos preferem terceirizar até a fé. Foi como se dissesse: “Se é pra falar de dor, que seja com os ombros.” E os ombros do mundo, convenhamos, andam frágeis, acostumados mais a carregar opiniões do que responsabilidades.

Enquanto isso, na política brasileira, ministros fizeram fila de saída como quem abandona o navio antes da tempestade eleitoral. A tal desincompatibilização parece nome de doença, mas é só mais um sintoma crônico da febre pelo poder — aquela que dá amnésia moral e coceira por voto. Sai ministro, entra ministro, e o país segue como um elevador sem botão de emergência: sobe, desce, mas ninguém sabe quem está realmente no controle.

Do outro lado do planeta, Cuba abriu as grades e soltou dois mil suspiros em forma de gente. Liberdade, às vezes, chega atrasada, como carta perdida no correio da história. Já no Oriente Médio, o céu virou campo de batalha e um avião caiu como metáfora da arrogância humana — porque o homem ainda insiste em brincar de deus com brinquedos de guerra, esquecendo que o preço do erro é sempre pago em lágrimas.

E assim segue o mundo nesta Sexta-feira Santa: dividido entre a cruz e o caos, entre o perdão e a pólvora, entre o silêncio da fé e o barulho das ambições. No fim das contas, talvez Jesus não tenha morrido apenas na cruz — talvez ele morra um pouquinho todo dia, cada vez que a humanidade escolhe o grito em vez do abraço.

Mas ainda assim… há esperança. Porque enquanto existir uma vela acesa na escuridão, um coração disposto a perdoar e uma criança correndo atrás de um coelho invisível, o mundo, esse velho poeta cansado, ainda terá versos para escrever.

E nós… seguimos sendo rascunho.

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