Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de abril de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abril abriu a porta com cara de palhaço sério — aquele que ri com a boca e chora com os olhos — e disse: “Hoje é dia da mentira.” Mas o noticiário, esse dramaturgo sem pudor, respondeu: “Mentira? Hoje não. Hoje a verdade veio fantasiada de susto.”
E Sergipe, esse pequeno grande tabuleiro onde Deus brinca de geógrafo, acordou com suas fronteiras dançando forró cartográfico. O IBGE, com sua régua invisível e seu compasso de burocrata-poeta, decidiu redesenhar o mapa como quem ajeita os lençóis da cama do território. Cumbe emagreceu como quem faz dieta forçada, Feira Nova e Nossa Senhora das Dores engordaram como quem ganha um pedaço a mais de bolo na festa, e São Miguel do Aleixo abriu os braços para crescer. Já Graccho Cardoso perdeu chão — talvez tenha tropeçado nas próprias coordenadas. No fim das contas, o mapa virou espelho: ninguém é do tamanho que pensa que é.
Enquanto isso, lá no teatro dos bilhões — onde o dinheiro dança valsa com a suspeita — contratos foram assinados com a velocidade de um beijo roubado e a profundidade de um pires. R$ 6,3 bilhões entre o Banco Master e Tirreno com firma reconhecida em dois dias… dois dias! antes de serem apresentados ao Banco de Brasília. Nem bolo de aniversário fica pronto tão rápido, mas dívida podre, ah, essa fermenta ligeiro. Ativos sem lastro, fantasmas financeiros, dinheiro que existe mais no papel do que na vida — uma espécie de assombração bancária. E o povo? O povo assiste da arquibancada da sobrevivência, comendo pipoca de preocupação e bebendo refrigerante de indignação.
E no cenário internacional, o mundo virou panela de pressão sem válvula. O Irã promete guerra até o arrependimento eterno do inimigo, enquanto Donald Trump, com sua retórica de trovão, responde com mais relâmpagos. É um diálogo de surdos com megafones, onde cada palavra pesa como bomba e cada silêncio soa como ameaça. A paz, coitada, virou figurante — aquela atriz esquecida no canto do palco, esperando um roteiro que nunca chega.
E assim, neste 1º de abril, a mentira tirou folga… porque a verdade resolveu trabalhar em turno dobrado. E que verdade! Uma verdade que não pede licença, que entra pela porta da frente, derruba a cadeira e ainda pergunta: “Vai encarar?”
No fim, o mundo segue — esse velho carrossel cansado que gira, gira, gira… e nunca sai do lugar. Mas a gente segue também, com o coração remendado de esperança e os olhos cheios de perguntas, porque viver, meu amigo, é isso: acreditar que, apesar de tudo, amanhã o mapa pode mudar… mas a dignidade não deveria.
E se for mentira, que seja das boas — daquelas que fazem a gente rir. Porque a realidade, ultimamente, anda fazendo piada de mau gosto.