Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de abril de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abramos as cortinas desse teatro chamado Brasil, onde o roteiro é escrito à base de sustos e gargalhadas nervosas, e o palco insiste em ranger sob os pés de uma plateia que já não sabe se aplaude ou pede socorro. No dia 23 de abril, o país acordou com um poste caído — não apenas de concreto, mas simbólico, como se fosse o próprio equilíbrio urbano dando uma topada na pressa e dizendo: “opa, hoje não tem luz nem juízo”.
Em Aracaju, uma carreta resolveu brincar de dominó com a infraestrutura e derrubou um poste no Bairro 18 do Forte. Resultado? Quase seis mil almas mergulhadas na escuridão, como se a cidade tivesse decidido fazer um retiro espiritual à força, daqueles onde a reflexão vem acompanhada de geladeira desligada e ventilador aposentado. A energia foi embora como político em promessa: rápida, sorrateira e deixando todo mundo no calor da indignação. Mas, no fim da tarde, como num final de novela das seis, a luz voltou — tímida, quase pedindo desculpas, como quem diz: “fui ali testar a paciência de vocês”.
Enquanto isso, em Brasília, o tempo resolveu virar moeda corrente. Procuradores agora podem somar o tempo de estágio como quem junta figurinhas raras para completar o álbum do salário turbinado. É o relógio virando cofrinho, o passado esticando o bolso do presente. O tempo, esse velho filósofo de barba branca, deve estar rindo em algum canto: passou séculos sendo implacável e agora virou aliado da folha de pagamento. Ironia fina, dessas que a gente mastiga devagar para não engasgar com o gosto agridoce da realidade.
E lá do outro lado do planeta, a Rússia exibe seus bilionários como quem ostenta guarda-chuvas dourados em meio a uma tempestade. Mesmo sob sanções e guerra, as fortunas crescem como mato em terreno abandonado. É o dinheiro fazendo musculação enquanto o mundo levanta pesos de incerteza. Alexei Mordashov nada em cifras que dariam para iluminar muitas Aracajus no escuro — mas, veja só, a luz continua sendo artigo de luxo em certos cantos do planeta, enquanto em outros ela é apenas mais um interruptor que insiste em falhar.
E assim seguimos, caros leitores: entre postes caídos, salários inflados e riquezas que desafiam a lógica, o Brasil vai equilibrando sua xícara de café na bandeja trêmula da realidade. Rimos para não chorar, choramos rindo, e seguimos tropeçando nas notícias como quem dança um forró desajeitado com a vida.
Porque no fim das contas, o mundo é essa mistura agridoce de apagões e brilhos, de quedas e ascensões, de ironias tão grandes que dariam um estádio lotado — e talvez, só talvez, a gente ainda esteja tentando aprender a acender a própria luz no meio desse espetáculo meio caótico, meio cômico… e completamente humano.