Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
22 de abril: o Brasil sopra velinhas num bolo histórico que já nasceu meio indigesto — descoberto por uns, invadido por outros, reinterpretado por quase todos. É aniversário de um país que parece aquele parente festeiro: canta parabéns, mas esquece de pagar as contas da festa. E enquanto a memória nacional veste fantasia de caravela, a realidade sai de moto… e cai dentro de um bueiro aberto em Aracaju, como se a cidade resolvesse engolir seus próprios filhos em goles apressados de descuido.
O motociclista, pobre equilibrista do asfalto, virou metáfora viva: num país onde buraco não é só ausência de tampa, mas excesso de abandono, cair num bueiro é quase um rito de passagem urbano — um mergulho involuntário na boca escancarada da negligência. Os bombeiros e o Samu, esses heróis de farda invisível, puxam o homem de volta à superfície como quem resgata um verso perdido no fundo da página. E a cidade? A cidade finge que foi só um tropeço… quando, na verdade, foi mais um capítulo de um livro velho chamado “descaso”.
Mas enquanto aqui a gente desvia de crateras, lá fora a humanidade aponta telescópios para o infinito. A NASA apresenta o telescópio Roman, uma espécie de óculos cósmico que tenta enxergar o que nem a esperança explica: matéria escura, energia escura… e, quem sabe, até um pouco de luz no fim da túnel da ignorância humana. É curioso: buscamos respostas no universo enquanto ainda tropeçamos nas perguntas da calçada. O espaço sideral parece mais organizado que nossas ruas — e talvez até mais compreensível que nossos sistemas.
E falando em sistemas… o STF entra em cena como aquele juiz de novela que decide destinos com a caneta pesada e o olhar cansado. Prisões, investigações, nomes longos e histórias ainda mais complicadas — um enredo onde o poder dança uma valsa torta com a responsabilidade, e o cidadão assiste da plateia, com ingresso pago em impostos e pipoca de indignação.
No fim das contas, o Brasil de 22 de abril continua sendo essa mistura agridoce de poesia e tropeço, de céu estrelado e chão esburacado. Um país que nasceu de um “achamos uma terra!” e que, séculos depois, ainda parece se procurar no espelho da própria história.
E assim seguimos: entre bueiros e buracos negros, entre decisões judiciais e descobertas espaciais, celebrando um aniversário que não é só festa — é também reflexão. Porque o Brasil, esse velho menino, ainda precisa aprender a caminhar sem cair… e, principalmente, a tampar os buracos antes que eles virem rotina.