Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de abril de 2026

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Abram-se as cortinas, porque o palco do mundo hoje resolveu misturar fé, fortuna e foguetes — um espetáculo onde Deus, o dinheiro e a Lua disputam o protagonismo como atores vaidosos de um drama que ora beira a comédia, ora escorrega na tragédia.

Lá na Praia do Saco, em Estância, o tempo vestiu batina e saiu em procissão. Uma igreja de mais de 400 anos, cansada de ver gerações passarem como ondas que beijam a areia e somem, foi abraçada pelo povo — literalmente abraçada — como se fosse uma avó prestes a ser arrancada da sala pela burocracia fria, esse monstro de gravata que não reza, mas sentencia. Era um abraço coletivo, desses que não cabem no corpo, só na alma. Um povo dizendo: “não mexa na nossa memória, porque memória não se demole, se sangra”. E ali, entre mãos dadas e olhos marejados, a fé parecia uma vela teimosa enfrentando o vento do “papel carimbado”.

Enquanto isso, a sorte, essa cigana debochada, dançava no Paraná distribuindo migalhas douradas da Quina — quatro apostas sorrindo com dentes de esperança, enquanto o prêmio maior, arisco como gato de telhado, fugia mais uma vez. A fortuna, como sempre, fez cosplay de miragem: aparece, seduz, pisca… e corre. E o povo? Ah, o povo continua jogando, porque brasileiro não desiste — ele aposta até no improvável, porque viver por aqui já é, por si só, um bilhete premiado ao contrário.

Do outro lado do planeta — ou melhor, fora dele — um homem voltou da Lua com os bolsos cheios de infinito. O astronauta Victor Glover escreveu “missão cumprida” como quem traz no peito não só poeira lunar, mas um pedaço da história cravado na pele. E enquanto aqui embaixo a gente briga por tijolos sagrados, lá em cima ele pisava em sonhos antigos da humanidade. A Terra, vista de longe, deve parecer um quintal pequeno demais para tanto ego e tão pouca empatia.

E como se o roteiro ainda precisasse de mais ironia, descobrimos que existe um cofre em Nova York guardando toneladas de ouro — ouro suficiente para comprar silêncio, guerras e até consciências parceladas. Países agora querem seu ouro de volta, como filhos arrependidos que lembram da mãe só quando o bolso aperta. O ouro, calado e pesado, observa tudo como um rei antigo, rindo por dentro: “vocês me guardam, mas são meus prisioneiros”.

E assim o mundo gira — uma igreja que pede para ficar, um povo que insiste em sonhar, um astronauta que toca o céu e um cofre que aprisiona o brilho da cobiça. No fim, a grande ironia é essa: enquanto alguns lutam para não perder o passado, outros correm atrás de um futuro que ainda nem sabe se quer chegar.

E nós, espectadores dessa peça, seguimos aqui — rindo para não chorar, sonhando para não desistir — porque viver, meu caro leitor, é esse teatro onde a esperança sempre entra em cena, mesmo quando o roteiro insiste em ser dramático demais.

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