Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de março de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de março de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abram o livro do dia 30 de março e vamos folhear as páginas desse romance chamado Brasil — e seus capítulos internacionais, que mais parecem novela mexicana com roteiro escrito por um poeta cansado e um político confuso.
No primeiro capítulo, os hospitais universitários de Aracaju e Lagarto amanhecem em greve — não como quem dormiu demais, mas como quem cansou de acordar sem esperança. A saúde pública, essa velha senhora de jaleco rasgado, resolveu cruzar os braços não por preguiça, mas por exaustão. Os servidores, heróis sem capa e com salários que cabem num bolso furado, disseram “basta” com a voz rouca de quem já gritou demais. Enquanto isso, o sistema tenta sorrir com dentes quebrados, garantindo que tudo continua funcionando — como um violino desafinado tocando no convés de um Titanic tropical. E o povo? Ah, o povo segue na fila, essa serpente infinita que engole paciência e cospe indignação.
No segundo capítulo, o celular roubado ganha voz — sim, meu caro leitor, até o objeto agora manda mensagem! Um milhão de aparelhos furtados vão começar a convocar seus “novos donos” para uma espécie de confissão tecnológica: “devolva-me ou enfrente a lei”. É o mundo ao avesso, onde o ladrão pode ser denunciado pelo próprio bolso. Se antes o crime era silencioso, agora ele vibra, toca e pisca na tela. É o WhatsApp da consciência, tentando ensinar ética em parcelas digitais. Mas fica a pergunta, com gosto de ironia: será que quem roubou vai devolver… ou vai apenas silenciar a notificação da moral?
No terceiro capítulo, lá fora, o planeta gira sob o sopro contraditório de líderes que falam em paz com a mão direita e enviam tropas com a esquerda. O discurso vira um malabarista bêbado: promete diálogo com o Irã enquanto alimenta o tambor da guerra. É como acender uma vela pedindo calma enquanto joga gasolina na fogueira. O mundo assiste, atônito, a esse teatro de sombras, onde a paz é sempre anunciada… mas nunca chega no horário marcado.
E assim termina o capítulo de hoje: com hospitais em silêncio barulhento, celulares com crise de consciência e líderes globais brincando de esconde-esconde com a verdade. O dia 30 de março se despede como um poeta triste — escrevendo versos com tinta de realidade e pontuação de incerteza.
E nós, leitores dessa crônica viva chamada mundo, seguimos virando páginas… esperando, quem sabe, um final menos irônico e mais humano.