Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de março de 2026

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Abram o jornal… mas abram devagar, como quem abre o peito para sentir o vento — porque hoje o mundo resolveu brincar de gangorra entre o céu e o abismo.

De um lado, em Aracaju, uma tia virou árvore da vida e decidiu emprestar uma raiz ao sobrinho. Doou um rim como quem oferece um pedaço do próprio amanhã. Não foi cirurgia — foi poesia de bisturi, metáfora viva costurada com fios de esperança. Enquanto a medicina operava, o amor fazia plantio: um corpo salvando outro, como se Deus tivesse escrito um bilhete e assinado com sangue e coragem.

Ah, humanidade… quando quer, vira milagre de carne.

Do outro lado da página, a Mega-Sena — essa cigana de números — resolveu fazer greve de felicidade. Ninguém acertou. O prêmio acumulou como promessa de político em ano eleitoral: cresce, cresce… e o povo fica ali, sonhando com seus milhões invisíveis, como quem compra bilhete para fugir da própria realidade parcelada em boletos. Treze milhões à vista — ou melhor, à ilusão. Porque o brasileiro não joga na loteria, joga contra o azar de nascer sem sorte.

E então… vira a página.

E o papel sangra.

No Sudão, o mundo esqueceu de ser humano. Um hospital — lugar onde a dor pede trégua — virou alvo, virou ruína, virou silêncio gritando. Sessenta e quatro vidas apagadas, treze delas ainda aprendendo a soletrar o futuro. Crianças… crianças, meu caro leitor… que deveriam estar brigando por brinquedos, não sendo contadas em estatística de guerra.

A maternidade ferida, a pediatria mutilada, a emergência… sem emergência possível. Até a esperança, coitada, saiu de maca.

A guerra, essa senhora de vestido rasgado e dentes de ferro, segue dançando sobre cadáveres como se estivesse em um baile macabro patrocinado pela indiferença global. Generais disputam poder como meninos brigando por bola — mas aqui, o campo é de sangue, e o apito final nunca chega.

E eu pergunto, com a ironia atravessada na garganta: que espécie de civilização é essa que sabe transplantar rins, mas ainda não conseguiu transplantar consciência?

O mesmo planeta que salva um homem com um gesto de amor… mata dezenas com um gesto de ódio.

Somos contradição ambulante. Um poema escrito com tinta e pólvora.

Hoje, o mundo acordou com dois corações:
um que bate em Aracaju… e outro que parou no Sudão.

E nós, leitores, seguimos aqui — equilibrando lágrimas e risos, fé e revolta — como quem tenta entender se a humanidade é um milagre… ou um erro ainda em revisão.

Porque no fim das contas, meu amigo…
o jornal de hoje não foi impresso.

Foi sentido.

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