Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de março de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de março de 2026


Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Março chegou batendo à porta como cobrador de promessas atrasadas.

Entrou sem pedir licença, com o paletó cheirando a pólvora internacional e a lama urbana, misturando o perfume ácido da geopolítica com o odor úmido das ruas alagadas de Aracaju. Março não veio em silêncio. Veio estalando os dedos como quem diz: “Acordem! O mundo está em combustão.”

Lá longe, no tabuleiro nervoso do Oriente Médio, mísseis cruzaram o céu de Teerã como cometas raivosos. A notícia gritou: bombardeio mata o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
E eu, daqui de Japaratuba, senti o chão do planeta tremer como se fosse o piso frágil de uma sala de aula em dia de prova surpresa.

O mundo anda brincando de Guerra Fria com fósforo aceso em posto de gasolina.

Os Estados Unidos e Israel atiraram suas decisões como quem lança dados sobre um mapa em chamas. O Irã respondeu com retaliação tensa.
E no meio do xadrez geopolítico, 153 vidas se apagaram numa escola feminina em Minab. Escola… esse templo onde o futuro deveria aprender a conjugar o verbo “esperançar”.

Mas o verbo que conjugaram foi “explodir”.

Ah, humanidade… você que inventou a poesia, mas insiste em rimar com pólvora.

Enquanto isso, aqui na nossa querida Aracaju, a chuva resolveu fazer performance artística. Caiu como se o céu tivesse rompido o próprio teto constitucional das nuvens.
O bairro 17 de Março virou ironia líquida: março começou com março dentro de março. Água pelas canelas, prejuízo pelas costas, paciência afogada.

A Defesa Civil corre, a população improvisa, e a cidade aprende a nadar em boletos.

E como se o planeta já não estivesse suficientemente dramático, o Supremo Tribunal Federal resolveu apertar o cinto dos chamados “penduricalhos”.
Ah, os penduricalhos… Esses enfeites salariais que crescem mais que mato em beira de estrada! O teto constitucional, esse pobre coitado, foi criado em 1988 para ser limite. Mas virou sugestão, conselho, quase uma poesia abstrata.

O teto virou piso para alguns.
E o piso virou teto para muitos.

É curioso… quando falta dinheiro para professor, a matemática é rigorosa. Quando sobra criatividade para driblar limites, a engenharia jurídica vira atleta olímpica.

Março me olha nos olhos e pergunta: — Professor, o que ensinar diante disso tudo?

Ensinar que bombas não educam.
Que chuva não escolhe CEP.
Que teto não pode ser trampolim para privilégios.

Ensinar que a vida — essa aluna inquieta — precisa de menos explosão e mais explicação.

O mundo hoje parece um grande teatro trágico, onde os atores esqueceram o roteiro da empatia. Mas ainda há esperança — essa teimosa, essa resistente, essa professora substituta da humanidade.

Porque mesmo com guerra, enchente e privilégios pendurados como luzes de Natal fora de época…
há gente salvando vizinhos da água, há vozes pedindo paz, há consciências acordando.

Março chegou em chamas.
Mas ainda podemos transformá-lo em fogueira de São João — daquelas que aquecem, não que destroem.

E eu sigo escrevendo.

Porque enquanto houver palavra, haverá resistência.
Enquanto houver escola, haverá futuro.
Enquanto houver chuva, haverá quem plante.
Enquanto houver injustiça, haverá crônica.

E que março não seja lembrado apenas pelo barulho das bombas ou pelo som da água invadindo casas…
Mas pelo despertar das consciências.

Que o mundo pare de brincar de apocalipse
e aprenda, finalmente, a soletrar a palavra
PAZ.

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