Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de março de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de março de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abram a janela e deixem o vento da realidade entrar… mas cuidado: ele vem carregado de poeira, ironia e um leve cheiro de feijão mais caro.
O Brasil acordou hoje como aquele velho rádio chiando na prateleira: entre uma notícia e outra, só se ouve o barulho da contradição. Em Estância, a brutalidade deu as caras em plena luz do dia — um homem, desses que confundem força com covardia, resolveu transformar a rua em ringue e a dignidade em alvo. Foi preso. Ainda bem. Mas a violência doméstica, essa fera de dentes invisíveis, continua solta, rondando lares como um lobo educado que só ataca quando a porta se fecha.
Enquanto isso, o governo de Sergipe tenta agradar o bolso do servidor com reajustes que parecem mais um cafezinho ralo: esquenta, mas não sustenta. Entre 4,26% e 7%… números que dançam como promessas em época de eleição — bonitos no discurso, tímidos na mesa do supermercado. O salário sobe de escada… e a inflação sobe de elevador, com ar-condicionado e pressa.
E falando nela — a inflação — essa senhora invisível e mal-educada resolveu aparecer novamente, puxando os preços como quem puxa um tapete. O IPCA-15 subiu, sorrindo com dentes de porcentagem. O tomate virou artigo de luxo, o café virou quase investimento financeiro, e o carrinho do supermercado agora parece um carrinho de ilusão: enche-se de esperança e esvazia-se no caixa.
Do outro lado do oceano, a Europa constrói muros com nome bonito: “centros de retorno”. Nome elegante para dizer ao mundo: “voltem de onde vieram”. A humanidade, essa palavra tão grande, anda encolhida — cabendo cada vez menos no peito das nações. O planeta virou condomínio de luxo: quem não tem senha, não entra.
E aqui, no Brasil dos descontos indevidos, milhões de aposentados seguem numa espécie de caça ao próprio dinheiro — como quem procura a própria sombra no meio-dia. Mais 90 dias para contestar… porque no país do “depois a gente vê”, o tempo é elástico para o problema e curto para a solução.
No fim das contas, o dia 26 de março foi um teatro com cortinas rasgadas: de um lado, a violência gritando; do outro, a economia cochichando; e no meio, o povo — esse ator principal sem roteiro — tentando improvisar dignidade no palco escorregadio da realidade.
E assim seguimos… entre tapas e taxas, entre promessas e preços, entre muros e lágrimas.
Porque viver no Brasil, meu caro leitor, é como andar de bicicleta na corda bamba: a gente pedala sorrindo… mas o abismo está sempre logo ali, esperando um descuido.