Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de março de 2026

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

22 de março.
Dia Mundial da Água.

Senhoras e senhores, apertem os cintos da alma — hoje a leitura vem com gosto de sal, lágrima e ferrugem.

A água, essa velha professora paciente, tentou dar aula ao mundo.
Entrou na sala em forma de rio, vestida de transparência, quadro negro de nuvens ao fundo…
Mas a humanidade, distraída, rabiscava violência no caderno da vida.

Porque enquanto a água sussurrava “vida”, o homem gritava “morte” com sotaque de brutalidade.

Em Aracaju, no bairro Atalaia — onde o mar costuma beijar a areia com delicadeza — o amor virou manchete de tragédia. Um quarto de hotel, que deveria ser abrigo de sonhos, virou palco de tiros… e o silêncio, esse assassino invisível, assinou a última linha da história de Flávia.
Já em Capela, no povoado Pirunga, a faca escreveu sua poesia cruel na pele de outra mulher. Duas vidas interrompidas… dois rios que não chegaram ao mar.

E eu pergunto — com a ironia afiada de quem já perdeu a paciência com o absurdo —
que espécie de humanidade é essa que celebra o Dia da Água e derrama sangue como se fosse chuva de verão?

A água chora.
E chora muito.
Chora nos rios, nas torneiras, nos olhos das mães, nas manchetes que fedem a pólvora e descaso.

Mas, como toda crônica brasileira — esse gênero que mistura café, caos e esperança — eis que surge um sopro de respiro no pulmão do planeta.

Lá no coração do Brasil, no Pantanal e no Cerrado, o governo anuncia proteção, como quem tenta colocar um guarda-chuva no dilúvio da destruição. São hectares e mais hectares sendo abraçados pela lei — um carinho tardio, mas necessário.
A natureza, ferida, agradece com um suspiro verde, desses que ainda acreditam no amanhã.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, o céu se veste de tensão.
O Irã lança mísseis como quem joga dados com o destino da humanidade. E a Europa segura a respiração — porque quando a guerra limpa a garganta, o mundo inteiro engasga.

E assim seguimos…
Num planeta onde a água tenta ser poesia, mas o homem insiste em ser tragédia.
Onde se planta conservação com uma mão… e se colhe violência com a outra.

Hoje, mais do que nunca, a água não quer ser bebida.
Ela quer ser ouvida.

Porque se continuarmos ignorando seus avisos…
um dia, senhores, ela não virá mais em forma de vida —
mas de ausência.

E aí, meu amigo…
nem lágrima vai sobrar pra chorar.

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