Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de março de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de março de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O sábado amanheceu com cheiro de incenso e silêncio de igreja antiga. O tempo parecia andar de sandálias de couro velho, devagarinho, como quem respeita o luto da alma sertaneja.
Em Poço Redondo, o céu vestiu batina.
Ali, entre lágrimas que escorriam como pequenos riachos de saudade, a cidade se despediu de Frei Enoque, homem que parecia ter sido esculpido em madeira de juazeiro: firme, resistente e cheio de sombra para quem precisava descansar o coração.
A igreja ficou cheia como feira em dia de pagamento.
Velhos, jovens, políticos, fiéis e curiosos — todos reunidos como se o tempo tivesse resolvido fazer uma assembleia de despedida.
E no meio daquele mar de rostos molhados, parecia que até os sinos choravam.
Cada badalada era um soluço de bronze.
Porque certos homens não morrem… apenas mudam de endereço no mapa da eternidade.
Enquanto isso, no outro canto do teatro da vida, a Mega-Sena resolveu brincar de esconde-esconde com a esperança do povo brasileiro.
O prêmio acumulou para 105 milhões de reais.
Cento e cinco milhões!
Dinheiro suficiente para comprar uns três caminhões de sonhos, duas carretas de ilusões e ainda sobrar troco para pagar o cafezinho da padaria.
Mas a loteria é uma espécie de sereia capitalista: canta bonito, balança o rabo de ouro… e quase sempre deixa o pescador só com a rede molhada de expectativa.
Já no cenário internacional, o mundo voltou a tossir pólvora.
A Fórmula 1 cancelou corridas no Bahrein e na Arábia Saudita por causa da guerra no Oriente Médio.
Veja só a ironia da história:
os carros mais rápidos do planeta pararam… porque a humanidade continua andando em marcha-ré.
É como se a civilização fosse um motorista distraído: inventa foguete, inteligência artificial, carro voador… mas ainda tropeça nas mesmas pedras da intolerância.
E assim segue o planeta Terra.
Metade rezando.
Metade apostando.
Metade brigando.
Sim, eu sei… são três metades.
Mas o mundo é tão confuso que até a matemática anda com dor de cabeça.
No fim das contas, o sábado deixou uma lição silenciosa no vento do sertão:
Uns partem deixando saudade.
Outros acumulam fortuna.
E alguns acumulam guerras.
Mas só aqueles que semeiam fé, como Frei Enoque, conseguem fazer algo raro neste planeta apressado:
Plantar eternidade no coração das pessoas.