Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de março de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de março de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O Brasil amanheceu com cara de quem passou a noite discutindo com o travesseiro e perdeu no argumento. Era quinta-feira, mas parecia segunda com ressaca de esperança.
Em Sergipe, os professores guardaram as faixas, dobraram os gritos e colocaram a greve para dormir — não num berço esplêndido, mas numa rede meio frouxa, dessas que balançam mais dúvida do que descanso. O acordo veio como chuva em tempo de seca: não encheu o açude, mas pelo menos molhou a poeira da dignidade. O sindicato e o governo apertaram as mãos como dois personagens de novela que ainda não decidiram se é amor ou interesse. E a educação, coitada, ficou ali no meio, vestida de esperança remendada, esperando que dessa vez a promessa não seja só mais um discurso com prazo de validade vencido.
Enquanto isso, lá no hospital, o corpo de um ex-presidente travava sua própria eleição interna — pulmões fazendo campanha por ar, médicos disputando votos contra a bactéria. A melhora anunciada veio tímida, como aluno que sabe a resposta, mas levanta a mão com vergonha. A UTI, silenciosa como igreja em dia de semana, assistia a esse duelo invisível entre a fragilidade humana e a teimosia de continuar.
E no Mediterrâneo… ah, o Mediterrâneo virou cenário de filme de suspense com roteiro escrito pela irresponsabilidade global. Um navio fantasma, carregado de perigo, dança com as correntes como um bêbado com fósforo na mão dentro de um posto de gasolina. Uma bomba ambiental flutuante, ignorada por governos que parecem brincar de esconde-esconde com a catástrofe. O mar, esse velho sábio de sal e memória, observa em silêncio — mas não perdoa. Quando fala, fala em forma de desastre.
E assim segue o mundo, esse circo onde o palhaço é a realidade e a plateia somos nós, rindo para não chorar, chorando para não enlouquecer.
Entre greves que terminam sem terminar, corpos que lutam para respirar e mares que pedem socorro em ondas silenciosas, a humanidade caminha — tropeçando nas próprias promessas, equilibrando-se na corda bamba da esperança.
E eu, caro leitor, sigo aqui… escrevendo com tinta de ironia e papel de emoção, porque se a vida insiste em ser dura, a crônica insiste em ser resistência.