Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de março de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de março de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 04 de março amanheceu com o mundo tossindo notícias como um velho rádio de pilha mal sintonizado. Cada estação trazia uma história diferente: progresso, ciência, política, escuridão… e tragédia.

O planeta, convenhamos, anda parecendo um grande mercado de emoções: na banca da esquerda vendem esperança; na da direita distribuem ironia; e no caixa central alguém cobra o preço da realidade.

Comecemos pela notícia que atravessou Sergipe como um sopro de concreto e promessa: a nova ponte entre Aracaju e Barra dos Coqueiros.

Ah… a ponte!

Essa futura rainha de aço e cimento que ainda nem nasceu, mas já desfila nos discursos políticos como debutante em baile de gala.

840 milhões de reais.

Repito devagar, como quem mastiga um caju gigante de cifras públicas:

Oitocentos… e quarenta… milhões.

Dinheiro suficiente para fazer até o Rio Sergipe coçar a cabeça líquida e perguntar:

— “Vão me atravessar com elegância… ou com atraso?”

Porque obra pública no Brasil às vezes é como namoro adolescente: começa cheia de promessas, flores e discursos apaixonados… e termina em briga, atraso e orçamento inflado.

Mas sejamos justos.

A ponte, quando nascer, poderá ser um poema de concreto.

Um abraço arquitetônico entre Aracaju e Barra dos Coqueiros.

Uma linha de aço desenhada sobre o rio como se fosse uma assinatura do futuro.

Se der certo.

Se o tempo não resolver fazer greve.

Se o orçamento não resolver fazer dieta.

Se a burocracia não resolver tomar café demais.

Enquanto engenheiros calculam vigas e colunas, a ciência resolve invadir o próprio corpo humano.

E eis que surge uma descoberta que parece roteiro de filme de ficção científica microscópica: o sistema imunológico roubando DNA de células que estão morrendo.

Sim, meus amigos.

Dentro de nós existe um pequeno assalto biológico.

Uma operação digna de filme policial, só que em escala celular.

As células estão lá… desmoronando como prédios cansados.

Então chega o sistema imunológico, arromba o cofre genético e leva o DNA como quem diz:

— “Prova recolhida!”

Chamaram esse fenômeno elegante de nucleocitose.

Nome sofisticado para um verdadeiro CSI do corpo humano.

O organismo virou uma delegacia microscópica onde moléculas fazem interrogatório e inflamações disparam sirenes bioquímicas.

Enquanto isso, no Senado brasileiro, uma pequena revolução doméstica foi aprovada: a licença-paternidade vai aumentar gradualmente até chegar a 20 dias.

E eu confesso que imaginei a cena.

O bebê nasce.

O pai olha para o relógio.

Cinco dias passam voando como pardal em feira.

Agora, em 2029, o pai terá vinte dias para aprender duas coisas fundamentais da vida adulta:

Trocar fraldas.

E sobreviver a noites sem dormir.

É pouco? É.

Mas já é um avanço.

Durante séculos o pai era um personagem secundário no roteiro familiar.

Hoje começa a ganhar algumas falas no palco da paternidade.

Enquanto isso, lá no Caribe, Cuba mergulhou num apagão monumental.

Dois terços da ilha no escuro.

Havana virou uma cidade iluminada apenas pela lua e pela paciência histórica de um povo acostumado a viver entre bloqueios, crises e discursos ideológicos que já têm mais rugas que avô aposentado.

Apagões têm algo de simbólico.

Quando falta luz na cidade… sobra sombra na política.

E o mundo continua girando sua engrenagem econômica.

O Senado brasileiro aprovou o acordo entre Mercosul e União Europeia.

Uma das maiores zonas de livre comércio do planeta.

No papel parece uma avenida larga.

Na prática pode virar uma estrada cheia de pedágio.

Produtores comemoram.

Outros desconfiam.

Economistas escrevem relatórios.

E o cidadão comum apenas pergunta no supermercado:

— “Isso vai baixar o preço do feijão?”

Enquanto os mercados discutem cifras, o planeta recebe uma notícia que pesa como uma montanha sobre o coração humano.

Na mina de Rubaya, no Congo, um deslizamento matou mais de 200 pessoas.

Setenta delas… crianças.

Crianças.

A palavra pesa como pedra.

A mina produz coltan, mineral essencial para fabricar celulares, computadores e turbinas tecnológicas.

Ou seja…

Parte do mundo moderno nasce ali.

No barro.

No suor.

Na tragédia.

E de repente percebemos algo incômodo: talvez o celular que brilha na nossa mão carregue, invisível, um grão daquela dor africana.

A tecnologia corre para frente como um cavalo veloz.

Mas às vezes deixa para trás um rastro de lágrimas.

E assim terminou o noticiário de hoje.

Uma ponte sonhando nascer.

Células roubando DNA.

Pais ganhando alguns dias de colo.

Uma ilha mergulhada na escuridão.

Economias abrindo fronteiras.

E uma mina lembrando ao mundo que o progresso ainda cobra impostos cruéis.

O planeta é um grande livro.

Algumas páginas são escritas com tinta.

Outras… com lágrimas.

Mas seguimos lendo.

Porque viver, meu caro leitor, é atravessar pontes antes mesmo de elas existirem.

E acreditar — mesmo entre ironias, sarcasmos e gargalhadas nervosas — que amanhã o mundo talvez acorde um pouco menos absurdo.

Ou pelo menos…

um pouco mais humano.

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