Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de março de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de março de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O mundo amanheceu hoje com o humor de um pescador que saiu cedo para o mar e encontrou o oceano cheio de notícias — algumas sardinhas magras, outras tubarões famintos.

E foi assim que o dia 03 de março de 2026 abriu suas cortinas, como um teatro meio desorganizado onde os atores esquecem as falas, os políticos improvisam discursos e a humanidade, coitada, continua tentando entender o roteiro.

Comecemos pelo cheiro salgado do mar de Aracaju.

O velho Terminal Pesqueiro de Aracaju, aquele pedaço de concreto que já ouviu mais histórias de pescador do que qualquer mesa de bar do Nordeste, foi arrematado em leilão. Vinte anos de concessão. Duas décadas. Tempo suficiente para uma criança nascer, crescer, reclamar da escola e começar a reclamar do governo também.

A empresa BPJ Distribuidora LTDA agora assume o timão desse barco administrativo.

O terminal, que por muito tempo parecia um peixe esquecido no fundo da geladeira do Estado, agora promete voltar a respirar cheiro de camarão, tilápia e esperança.

Tomara.

Porque o Brasil é um país curioso: às vezes demora tanto para consertar um anzol que o peixe já virou lenda.

E enquanto os pescadores de Aracaju ajeitam suas redes, o Senado resolveu puxar outra rede — desta vez contra ladrões de animais domésticos.

Sim, meus amigos, o Congresso decidiu que roubar cachorro e gato agora pode dar cadeia de dois a seis anos.

Finalmente!

Porque quem já teve um cachorro sabe: cachorro não é objeto, é parente de quatro patas. É terapeuta que não cobra consulta. É segurança particular que late até para vento. É psicólogo peludo que escuta nossas tristezas sem interromper.

Roubar um animal é como sequestrar um pedaço da alma da família.

Agora, imaginem a cena:

O ladrão foge com o cachorro e o cachorro foge do ladrão.

Porque cachorro, diferente de certos políticos, costuma reconhecer quem presta.

Mas enquanto o Senado tenta proteger os cães e gatos, o mundo lá fora continua latindo de raiva.

Do outro lado do planeta, o Oriente Médio voltou a ranger os dentes da guerra.

Tanques israelenses avançaram pelo território do Líbano como quem entra numa casa alheia sem bater na porta. O ataque, que mirava alvos do Hezbollah, acabou acertando prédios residenciais e um hotel.

Seis pessoas morreram.

Seis histórias interrompidas.

Seis cadeiras vazias na mesa do jantar.

A guerra é isso: um monstro que come gente comum enquanto os generais discutem mapas.

A guerra tem o barulho de sirenes, o cheiro de poeira e o gosto amargo da injustiça.

Enquanto políticos falam em estratégia, mães choram nos escombros.

E o planeta Terra, esse velho professor cansado da humanidade, observa tudo com um olhar de quem já perdeu a paciência com seus alunos.

Porque o ser humano é um bicho curioso: inventou internet, satélite, inteligência artificial… mas ainda não aprendeu a coisa mais simples da civilização — conviver sem se destruir.

No mesmo planeta onde cientistas fotografam buracos negros, homens ainda fabricam buracos em prédios.

Ironia das ironias.

Avançamos para Marte, mas ainda tropeçamos na barbárie.

Enquanto isso, aqui em Sergipe a vida segue no seu ritmo de caranguejo filosófico.

O pescador ajeita sua rede.

O cachorro abana o rabo.

O gato ignora todo mundo, como sempre fez desde o Egito Antigo.

E o povo brasileiro continua vivendo entre a esperança e a piada — porque se tem uma coisa que salva este país é o humor.

O brasileiro ri até da própria desgraça.

Ri do preço da gasolina.

Ri da política.

Ri do calor.

Ri da chuva.

Ri porque, se parar para chorar, a lágrima vira enchente.

E assim termina mais um capítulo deste grande romance chamado humanidade.

Um romance cheio de personagens confusos, governos tropeçando, guerras absurdas e cachorros muito mais dignos que certos seres humanos.

O dia 03 de março de 2026 nos deixa uma lição simples, dessas que qualquer pescador do Terminal de Aracaju entenderia sem precisar de discurso no Senado:

O mundo precisa de menos tanques…
mais redes de pesca.

Menos bombas…
mais latidos de cachorro feliz.

Menos guerra…
e mais humanidade.

Porque no final das contas, meu caro leitor, o planeta é como um barco.

E se continuarmos fazendo buracos no casco…
não haverá bandeira, ideologia ou exército que impeça todo mundo de afundar junto.

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