Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de Fevereiro de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O mundo acordou hoje como um grande palco de circo: de um lado, palhaços sem maquiagem; de outro, sábios com jaleco; e, no meio, a plateia — nós — tentando entender se ri, se chora ou se pede a conta.
Comecemos pela ciência, essa senhora elegante que anda de salto alto pelos corredores do conhecimento. A UFS, nossa Universidade Federal de Sergipe, entrou para o seleto clube das instituições de excelência, conquistando a nota máxima na pós-graduação em Ciências da Saúde. Nota 7.0 — o Everest das avaliações acadêmicas.
E que beleza é ver o saber florescer! É como se uma mangueira antiga, plantada há décadas, finalmente desse frutos doces o bastante para adoçar o orgulho de um estado inteiro. Enquanto alguns ainda brigam por migalhas de ignorância, a ciência sergipana constrói catedrais invisíveis de conhecimento. E conhecimento, meus amigos, é o único ouro que não enferruja nem perde valor na feira da vida.
Mas o mundo não é feito só de laboratórios e microscópios; ele também dança.
E dançou — ah, como dançou! — quando Bad Bunny subiu ao palco do Super Bowl, aquele espetáculo que os americanos tratam quase como uma missa esportiva. E lá estava ele, cantando em espanhol, carregando símbolos latino-americanos como quem carrega bandeiras de resistência.
Imaginem a cena: milhões assistindo, e o idioma espanhol ecoando como um trovão tropical no céu da Califórnia. Foi como se o Caribe soprasse um vento quente no rosto do Tio Sam.
E houve quem dissesse não entender uma palavra.
Ora, não entender não é o mesmo que não ouvir. Às vezes o problema não está na língua — está no ouvido.
Sessenta e oito milhões de latinos vivem nos Estados Unidos. É um oceano humano. E quem não aprende a nadar em um oceano acaba engolindo água… ou preconceito.
Bad Bunny, com seus bilhões de reproduções, mostrou que a cultura não pede visto. Ela atravessa fronteiras como pássaro migratório: pousa onde quer, canta onde pode, e ninguém consegue colocá-la em uma gaiola de silêncio.
Mas enquanto uns dançam, outros se descuidam da saúde — e aí a realidade bate à porta como um cobrador impaciente.
A Anvisa alertou sobre o uso indiscriminado de medicamentos para obesidade e diabetes. Canetas milagrosas, promessas rápidas, atalhos perigosos… O ser humano tem uma paixão antiga por milagres instantâneos. Quer emagrecer sem mudar hábitos, quer saúde sem disciplina, quer resultados sem processo.
É como querer colher manga plantando pedra.
Os casos de pancreatite aumentaram, e o corpo humano, esse sábio silencioso, começou a gritar. Porque o organismo não é laboratório de vaidade, nem campo de testes para modismos farmacêuticos.
Saúde não é mágica; é paciência.
Saúde não é pressa; é caminho.
E assim segue o mundo, esse velho contador de histórias:
numa esquina, a ciência cresce;
na outra, a música rompe fronteiras;
e logo adiante, a imprudência tropeça na própria pressa.
No fim das contas, a vida continua sendo esse grande livro escrito em capítulos contraditórios — onde a esperança e a teimosia dividem a mesma página, e o ser humano insiste em aprender… mesmo quando aprende devagar.
E talvez seja isso que nos salva.
Porque enquanto houver conhecimento florescendo, música atravessando muros e consciência despertando, ainda haverá futuro — mesmo que o presente, às vezes, pareça uma comédia dramática dirigida pelo destino e estrelada por todos nós.