Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de Fevereiro de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Vamos à leitura da crônica de hoje.
O Carnaval em Sergipe resolveu acender o pavio da alegria como se o sol tivesse descido do céu para brincar de pandeiro. Pirambu, Aracaju, Neópolis e Barra dos Coqueiros viraram um grande caldeirão de purpurina, suor e gargalhadas — um oceano onde as ondas não são de água, mas de gente dançando, sorrindo e esquecendo, ainda que por algumas horas, as contas, os boletos e os espinhos da vida.
O Carnaval, esse velho mágico, tem o estranho poder de transformar pedreiro em rei, professora em passista, e político em santo… pelo menos até a quarta-feira de cinzas, quando a fantasia volta a ser apenas tecido e a realidade reaparece, séria, com cara de segunda-feira.
Mas enquanto o tambor rufava, a vida também tocava um sino grave: morreu Renato Rabelo, aos 83 anos, um homem que atravessou décadas de debates, ideias e trincheiras políticas. A morte é uma senhora silenciosa que chega sem pedir licença, sem tocar a campainha, sem sequer tirar o chapéu. E assim, mais uma página da história brasileira se dobra, como folha antiga de um livro que o tempo insiste em reler.
E o mundo segue, estranho como sempre.
Lá em São Paulo, queijarias artesanais transformam leite em poesia sólida. Sim, porque queijo bom não se come apenas com a boca — come-se com a memória, com o nariz, com a alma. Há queijos que têm gosto de infância, outros que têm sabor de chuva em telhado de barro, e alguns que parecem carregar dentro de si o mugido distante das vacas e o canto preguiçoso do amanhecer no campo.
Enquanto isso, nas Olimpíadas de Inverno, encontraram uma granada da Segunda Guerra Mundial. Veja só: até a guerra, que já devia estar aposentada há décadas, resolveu aparecer como penetra numa festa esportiva. É como se o passado dissesse: “Não esqueçam de mim, eu ainda moro nas sombras.”
E, do outro lado do planeta, fala-se em bilhões para reconstruir Gaza, promessas, soldados, acordos, discursos… O mundo é um grande teatro onde alguns choram de verdade e outros apenas ensaiam lágrimas diante das câmeras. A paz, coitada, vive sendo prometida como promessa de político em época de eleição: bonita no papel, rara na prática.
Assim caminha a humanidade — metade sambando, metade tropeçando, metade sonhando, metade chorando… Sim, eu sei, são muitas metades. Mas o ser humano é isso mesmo: um quebra-cabeça que nunca termina de se montar.
E a vida segue…
Com cheiro de queijo, barulho de tambor, silêncio de velório, eco de explosões antigas e discursos que atravessam oceanos.
E nós, simples passageiros deste trem chamado tempo, seguimos olhando pela janela… rindo quando dá, chorando quando precisa, e escrevendo — sempre escrevendo — para que a memória não morra de solidão.