Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de Fevereiro de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O domingo acordou encharcado. Não de água apenas — mas de sustos. Em Poço Verde, a chuva desceu do céu como se tivesse brigado com as nuvens e resolveu pedir divórcio na marra. Invadiu ruas, hospital, abrigo de cães… A água entrou sem bater à porta, feito visita inconveniente que chega para “ficar só cinco minutinhos” e acaba dormindo na sala.
Trinta e seis cães ficaram desabrigados. Trinta e seis latidos transformados em interrogação. A enchente não molhou apenas paredes — molhou a dignidade. E eu fico pensando: a natureza grita, mas a gente insiste em fingir que é sussurro.
Na BR-101, em Muribeca, a notícia veio fria como vidro de carro fechado: um casal encontrado sem vida. O automóvel virou cápsula de silêncio. A estrada, que costuma levar sonhos e cargas, naquele dia carregou mistério. Há dias em que o asfalto parece rezar baixinho.
Mas, no meio do caos, o mar decidiu escrever poesia. Em Linhares, uma tartaruga-cabeçuda, acompanhada pela Fundação Projeto Tamar, voltou à mesma praia depois de 37 anos. Trinta e sete! Enquanto a humanidade troca de opinião como troca de camisa, ela retorna ao mesmo endereço. Fiel como avó que guarda receita no coração. Desova ao lado das netas. Mais de 60 anos de vida e ainda acreditando no futuro. A tartaruga ensina o que o homem esqueceu: persistência não faz barulho, mas constrói eternidade.
Na política, a Polícia Federal abriu gavetas sigilosas do caso Master para a CPMI do INSS, com decisão do ministro André Mendonça. Já o ministro Flávio Dino suspendeu a pressa privatizante no Paraná. Quando o assunto é dado, meu amigo, privacidade não é mercadoria de feira. É roupa íntima da cidadania — não se expõe na vitrine.
No esporte, o jovem João Fonseca brilhou ao lado de Marcelo Melo no Rio Open. Primeiro título de duplas. A juventude abraçando a experiência — como se o tempo dissesse: “vem cá, menino, que eu te ensino a dançar”.
E lá fora, no México, o temido Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, caiu numa operação militar. Quando gigantes do crime tombam, o mundo suspira — mas o crime, astuto como erva daninha, sempre tenta brotar de novo. A violência é um monstro que troca de nome, mas nunca de apetite.
E assim foi o 22 de fevereiro: água que invade, estrada que cala, tartaruga que ensina, político que decide, atleta que celebra, criminoso que cai.
O mundo é esse circo sem lona: ora tempestade, ora ninho, ora tribunal, ora estádio. E nós, equilibristas de chinelo, seguimos caminhando na corda bamba da esperança.
Porque se até a tartaruga volta à mesma praia depois de 37 anos… quem sabe a humanidade ainda aprende a voltar para o caminho certo?