Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de Fevereiro de 2026

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 26 amanheceu com o céu de Sergipe de mau humor. Em Canindé de São Francisco, a chuva resolveu não pedir licença — entrou feito parente afoito que arromba a porta e ainda reclama do café. Foram 120 milímetros de água. Cento e vinte! Uma centena e mais vinte baldes celestiais despejados sem cerimônia. A rua virou rio, o rio virou mar, e o sofá da sala quase pediu boia salva-vidas.

A chuva não caiu — despencou. Desceu com raiva acumulada, tamborilando nos telhados como baterista de banda de forró em final de festa. E uma família ficou desalojada. Desalojada é palavra fria, técnica, burocrática… mas por trás dela há colchões encharcados, fotografias chorando tinta, paredes soluçando reboco. A água, quando quer, escreve sua própria biografia na parede da gente.

Enquanto isso, lá no Planalto Central, a taça da Copa do Mundo desfilava como miss universo de chuteiras. Em Brasília, a reluzente senhora dourada foi recebida com pompa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no coração do poder, o imponente Palácio do Planalto. A taça brilhava mais que promessa em ano eleitoral. Sorria metálica, refletindo flashes e esperanças.

Ah, o futebol… essa religião laica que une ateus e devotos no mesmo grito de gol! A taça passeia antes da bola rolar, como quem diz: “Preparem os corações, afiem os nervos, treinem os memes.” O Brasil olha para ela como quem reencontra um amor antigo — com saudade, ciúme e uma pontinha de trauma.

E do outro lado do mapa, em Omaha, nos Estados Unidos, a terra resolveu abrir a boca. Um buraco se escancarou no asfalto e engoliu carros como se estivesse com fome de ferro e gasolina. A cidade acordou com a rua fazendo dieta inversa: em vez de engolir sapato, engoliu automóvel.

Dizem que foi o rompimento de uma tubulação. Vejam só: até os canos estão estressados! A pressão é tanta que explodem em protesto silencioso. O chão, que sempre foi símbolo de segurança, virou armadilha. A certeza virou cratera.

E eu fico pensando, aqui da minha Japaratuba, onde o vento conta histórias e o rio cochicha segredos: o mundo anda líquido demais. Ou é água demais, ou é brilho demais, ou é buraco demais. Tudo em excesso — como se a vida tivesse perdido o botão do equilíbrio e apertado apenas o do “volume máximo”.

Chove em Canindé, brilha em Brasília, afunda em Omaha. A água invade, a taça seduz, o asfalto trai.

E nós? Nós seguimos. Entre goteiras e gols, entre crateras e promessas, equilibrando-nos nessa corda bamba chamada esperança.

Porque se a chuva alaga, também lava.
Se o buraco assusta, também alerta.
E se a taça brilha… ah, que ela brilhe — mas que não nos cegue.

No fim das contas, a vida é isso:
um campo encharcado,
uma taça reluzente,
e um chão que às vezes cede —

mas o coração, esse teimoso,
continua batendo
como torcida organizada da própria existência.

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