Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de Fevereiro de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 5 de fevereiro amanheceu com o sol espreguiçando-se devagar, como um gato preguiçoso em telhado quente, enquanto o mundo já corria feito menino atrás de pipa em ventania. As notícias chegaram, como sempre, batendo na porta sem pedir licença, trazendo na sacola um pouco de riso, um pouco de susto e uma boa dose de reflexão.
Comecemos pelas estradas de Sergipe, essas veias de asfalto por onde circulam sonhos, caminhões, motos, promessas e às vezes até trio elétrico perdido. O DER resolveu colocar ordem no baile e anunciou novas regras para eventos festivos em rodovias estaduais.
E não é que a festa agora vai precisar pedir licença até para o vento? Pois é… o forró terá que dançar com o carimbo da burocracia, e o som do pandeiro terá que respeitar o compasso da papelada.
Dizem que é pela segurança — e é justo, claro — porque estrada não é salão de baile, embora muitos já tenham confundido buzina com zabumba e farol com refletores de palco. Ainda assim, a papelada brasileira, essa senhora obesa que se alimenta de formulários, continua engordando enquanto o cidadão faz dieta de paciência.
Pulando da poeira da estrada para o brilho dos sonhos, a Mega-Sena fez um novo milionário. Uma aposta de São Gonçalo levou sozinha mais de 141 milhões de reais.
Sozinha!
É dinheiro que, se fosse milho, dava para alimentar um exército de galinhas filósofas. É fortuna que pesa mais que caminhão carregado de esperança.
Enquanto isso, milhões de brasileiros conferiam o bilhete como quem olha o céu procurando estrela cadente — sabendo que a estrela quase nunca cai no próprio quintal. A loteria é a poesia do improvável: todo mundo acredita, poucos abraçam, e a maioria fica apenas com o verso.
E lá longe, no tabuleiro nervoso do mundo, Irã e Estados Unidos voltaram a conversar sobre acordo nuclear. Conversar… essa palavra bonita que parece chá de camomila, mas às vezes esconde tempestade em xícara de porcelana.
Diplomacia é um fio de cabelo segurando um piano, e o planeta inteiro fica em silêncio, torcendo para que o fio não arrebente.
O mundo, meus amigos, é um circo onde o palhaço conta piada enquanto o equilibrista anda sobre a corda bamba da história. E nós, espectadores involuntários, rimos, tememos, refletimos… e seguimos vivendo.
No fim das contas, o dia se despediu como um velho contador de histórias: lento, cheio de pausas, deixando no ar o cheiro de poeira, dinheiro, tensão e esperança.
E assim seguimos — nós, passageiros desse trem chamado tempo — olhando pela janela, rindo do absurdo, chorando do necessário e aprendendo, dia após dia, que a vida é uma crônica que ninguém termina de escrever.