Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de Fevereiro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de Fevereiro de 2026




Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O mundo acordou no dia 16 de fevereiro como um tambor de escola de samba: barulhento, ritmado, alegre em alguns compassos… e triste em outros, como um surdo que falha no meio da batucada da vida.

Segunda-feira de Carnaval.
O calendário vestia fantasia, mas a realidade, essa velha senhora de chinelos gastos, insistia em aparecer sem maquiagem.

Em Tobias Barreto, um micro-ônibus resolveu brincar de pião no asfalto. Capotou como um bêbado tropeçando na calçada do destino. Dentro dele, vidas frágeis como copos de cristal num tabuleiro de pedra. Entre os feridos, uma gestante — duas vidas dentro de um corpo, duas esperanças sacudidas pela brutalidade do acaso.

O asfalto, silencioso, parecia pedir desculpas.
O vento, que tudo vê, soprou baixinho como quem reza.

E eu fico pensando…
A vida é um ônibus cheio de sonhos, dirigido por um motorista invisível chamado Tempo. Às vezes ele freia, às vezes acelera… e às vezes, infelizmente, a estrada resolve pregar uma peça.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, a Sapucaí era um rio de purpurina, um oceano de penas, lantejoulas e sorrisos brilhando como estrelas que resolveram descer para dançar. O presidente Lula apareceu em fotos com todas as escolas, trocando chapéus como quem troca de nuvem para observar o céu da política.

A oposição criticou.
A internet resmungou.
Os comentários ferveram como panela de feijão esquecida no fogo.

Mas o Carnaval… ah, o Carnaval não liga para discussões. Ele é um menino travesso que ri da seriedade dos adultos. Ele dança em cima das polêmicas como um passista equilibrado num salto impossível.

No fundo, o Brasil é assim: um país que briga de manhã, samba à tarde e debate à noite… e no outro dia acorda pronto para discutir tudo de novo, como um rádio velho que só sabe tocar na mesma estação.

E lá longe, do outro lado do planeta, o Irã e os Estados Unidos trocavam palavras afiadas como espadas diplomáticas. Falam de energia nuclear, de negociações, de pressões militares… e o mundo inteiro segura a respiração como um torcedor nos acréscimos de uma final.

É curioso…
Enquanto o povo quer luz para iluminar a casa, os poderosos discutem luz capaz de apagar cidades.

A humanidade, às vezes, parece uma criança brincando com fósforos dentro de um depósito de pólvora.

Mas a vida continua…
Sempre continua.

O sol se põe, o mar de Pirambu continua respirando, as ondas continuam escrevendo poemas na areia e apagando em seguida, como um poeta tímido que tem vergonha da própria obra.

E nós seguimos…
Rindo para não chorar, chorando para não endurecer, vivendo porque não sabemos fazer outra coisa.

Porque no grande desfile da existência, ninguém fica parado.
Uns marcham, outros tropeçam, outros dançam… e todos, sem exceção, seguem no cortejo invisível do tempo.

E assim terminou o dia 16 de fevereiro…
Um dia que foi ao mesmo tempo tambor e silêncio, festa e susto, esperança e reflexão.

A vida, afinal, é um Carnaval estranho:
ninguém sabe a hora em que a música começa…
nem o momento em que o último tambor se cala.

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