Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de Fevereiro de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 25 amanheceu com cheiro de gás, papel timbrado e justiça atrasada — uma mistura explosiva digna de panela de pressão esquecida no fogão da República.
O governador de Sergipe anunciou a compra total da Sergipe Gás, como quem diz: “agora o botijão é nosso!”. Dinheiro vindo da concessão da Deso — ou seja, vendemos a água para comprar o fogo. É a alquimia moderna: privatiza ali, estatiza acolá, e o povo, esse eterno equilibrista, vai cozinhando o feijão na corda bamba da inflação. Mas há quem veja nisso soberania energética; eu vejo um Estado tentando reacender a chama do orgulho, soprando brasas com discurso de dono da casa.
Em Brasília, a Câmara aprovou o acordo entre Mercosul e União Europeia. Um casamento transatlântico — com direito a vestido de noiva bordado de tarifas reduzidas e promessa de lua de mel econômica. Dizem que pode nascer uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Tomara que não seja só mais um “relacionamento sério” nas redes sociais da diplomacia. Porque, convenhamos, o Brasil adora um noivado comercial que termina em DR alfandegária.
E quando a justiça finalmente bateu à porta dos irmãos Brazão, condenados pelo assassinato de Marielle e Anderson, o silêncio fez barulho. Foi um trovão tardio. A sentença ecoou lá fora, na imprensa internacional, como se o mundo dissesse: “até que enfim”. Justiça que demora é como café frio — ainda acorda, mas já perdeu o aroma. Mesmo assim, que venha. Porque a memória não aceita prescrição.
Lá nos Estados Unidos, em Omaha, um buraco se abriu na pista e engoliu carros. A rua decidiu ter fome. A cidade bocejou concreto. Foi a metáfora perfeita: quando os canos rompem, o chão cede — e às vezes não é só tubulação que estoura, é a confiança. Felizmente, ninguém se feriu. Mas ficou a lição: até o asfalto, de vez em quando, perde a compostura.
E assim seguimos, meus amigos — entre gás que muda de dono, acordos que prometem o paraíso, sentenças que tentam remendar feridas e buracos que nos lembram que o chão nunca é tão sólido quanto parece.
O Brasil é essa crônica ambulante: ora chama acesa, ora buraco aberto. Mas ainda pulsa. E enquanto pulsa, eu escrevo. Porque escrever é minha forma de tapar rachaduras com palavras — e de acender, no meio da fumaça, um fósforo de esperança.