Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de Fevereiro de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Vamos que vamos, meu povo, fazer a leitura da crônica de hoje. Puxe a cadeira, ajeite o coração, porque as notícias de hoje vieram como um prato de feijoada servido em dia quente: pesadas, temperadas e com aquele gosto agridoce que a vida insiste em cozinhar.
Comecemos por Sergipe, onde até carro de luxo resolveu entrar para o currículo do crime. Durante uma operação contra o tráfico interestadual de drogas, um veículo daqueles que parecem ter sido polidos com lágrimas de milionário foi apreendido.
O curioso — ou trágico, ou cômico, ou tudo junto, como um circo pegando fogo — é que o tráfico, esse polvo de mil tentáculos, já não anda mais de chinelo e bermuda. Agora desfila de couro, ar-condicionado e banco elétrico. O crime, que antes parecia um barraco improvisado, hoje constrói castelos sobre areia movediça, e ainda tem gente que acha bonito o brilho da fachada sem perceber o cheiro de podridão no alicerce.
As investigações mostraram que o grupo era estruturado, permanente, organizado… praticamente uma empresa. Só faltava abrir CNPJ, colocar slogan e anunciar:
“Destruindo vidas com eficiência e logística.”
E enquanto isso, do outro lado do palco nacional, a novela dos “penduricalhos” continua mais longa que fila de banco em dia de pagamento.
Entidades de juízes defendem esses benefícios que furam o teto salarial como goteira em telhado velho. A semana passada trouxe a decisão de suspender os tais penduricalhos, esses enfeites salariais que parecem bijuteria pendurada em árvore de Natal fora de época.
É curioso como certas palavras são suaves demais para a realidade que escondem. “Penduricalho” parece coisa leve, quase uma medalhinha de festa junina. Mas, no bolso do contribuinte, pesa mais que saco de cimento molhado.
O povo, que vive equilibrando o orçamento como equilibrista em arame farpado, olha para essas cifras e sente aquele gosto amargo na boca — gosto de café sem açúcar, de promessa sem cumprimento, de esperança cansada.
E como se não bastassem as águas turvas da política e da criminalidade, o mundo lá fora resolveu chorar de verdade. Em Portugal, as inundações romperam diques, destruíram estradas e obrigaram três mil pessoas a deixarem suas casas.
A natureza, quando perde a paciência, não discute — ela fala alto, com trovões, lama e silêncio depois da tragédia. O rio Mondego, que tantas histórias já viu passar em suas margens, resolveu levantar a voz, e a estrada A1, acostumada ao vai e vem apressado dos carros, ficou ferida como um braço quebrado.
Há algo de profundamente humano nas enchentes: elas nos lembram que, por mais concreto que levantemos, por mais pontes que construamos, ainda somos frágeis diante da força da água — essa velha senhora que pode ser copo, lágrima ou tempestade.
E assim vai o mundo…
Entre carros de luxo que carregam miséria, salários que engordam enquanto o povo emagrece e rios que transbordam como se chorassem a dor da Terra.
Mas, apesar de tudo, o sol sempre insiste em nascer — teimoso, amarelo, esperançoso. A vida continua, e nós continuamos também, com nossas risadas meio tortas, nossas críticas afiadas e nossa esperança remendada, mas viva.
Porque o brasileiro — e o sergipano então nem se fala — é como coqueiro na beira do mar: o vento pode entortar, a chuva pode castigar, mas a raiz permanece firme, agarrada ao chão da fé.
E assim encerramos a crônica de hoje…
com o coração cheio, a mente inquieta e a certeza de que, enquanto houver palavra, haverá resistência.
Até amanhã, meu povo. Porque o mundo não para… e a crônica também não.